03
de abril de 2008
MPT ajuíza 12 ações
civis públicas
contra
usinas alagoanas
Indenização
pelo dano moral coletivo foi fixada em R$ 20 milhões
para cada empresa
O
Ministério Público do trabalho (MPT) ajuizou 12
ações civis públicas (ACPs) contra as usinas
alagoanas fiscalizadas pela força-tarefa, pelo desrespeito
às normas de saúde e segurança previstas
na NR 31, descumprimento de direitos trabalhistas e submissão
dos trabalhadores à situação análoga
à de escravos. O pedido de indenização
pela lesão aos direitos difusos e coletivos dos cortadores
de cana foi fixado em R$ 20 milhões para cada empresa.
Além
das ACPs, a Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas (PRT)
também entrou com 13 ações de execução
pelo descumprimento dos termos de ajustamento de conduta. A
execução de cada TAC prevê o pagamento de
multa no valor de R$ 30 mil reais, em média. O MPT aguarda
decisão liminar da Justiça do Trabalho favorável
ao pleito, uma vez que os magistrados brasileiros vêm
atendendo pedidos de dano moral coletivo, principalmente nos
casos de trabalho escravo ou degradante. “O acolhimento
aos nossos pedidos será decisivo no combate a essas práticas
repulsivas de exploração de seres humanos, como
as que foram constatadas pela força-tarefa”, disse
o procurador-chefe da PRT de Alagoas, Rodrigo Alencar.
De
acordo com Alencar, diante do desrespeito à dignidade
humana, constatado nos campos de corte de cana e nos alojamentos
das usinas, a sociedade espera do Judiciário Trabalhista
uma posição de vanguarda no que diz respeito ao
acolhimento dos pedidos nas ações civis públicas.
Os
pedidos levam em consideração o término
da safra de cana, para que haja uma ação preventiva,
de maneira que as usinas, a partir de setembro deste ano, não
cometam mais os mesmos erros e tomem as medidas necessárias
em respeito às normas de segurança. “Há
necessidade de uma tutela preventiva e inibitória, com
vista à próxima etapa de corte. Por isso, elencamos
várias medidas que as empresas devem cumprir. Medidas
de segurança, de conforte e higiene, de prevenção
à fadiga, além da observância dos direitos
trabalhistas: assinatura da CTPS, pagamento de salário
em dia, entre outros”, completou Alencar.
Reconhecimento
A
força-tarefa foi criada pelo procurador-geral do Trabalho
Otávio Brito Lopes, em dezembro de 2007, com objetivo
de combater as irregularidades no corte de cana-de-açúcar
no Brasil. Alagoas foi o primeiro Estado a receber a equipe
do MPT em decorrência das diversas paralisações
de cortadores de cana, com bloqueio de rodovias, ano passado,
e de denúncias sobre a situação degradante
dos empregados rurais das usinas.
Alencar
participou das operações da força-tarefa
e ressaltou a importância do trabalho conjunto para melhorar
as condições de trabalho no campo. De acordo com
o procurador, desde 2006 várias fiscalizações
vêm sendo realizadas e a PRT vem cobrando o cumprimento
da NR 31. “Todas as usinas foram notificadas, assinaram
termos de compromisso com a PRT, mas continuavam desrespeitando
a lei e, conseqüentemente, o trabalhador”, explicou.
O
trabalho realizado pela PRT de Alagoas vem sendo reconhecido
por sua postura séria e vanguardista na missão
de garantir os diretos coletivos dos trabalhadores. Tanto no
setor público, no combate a contratações
irregulares e exigência de concurso público, quanto
na iniciativa privada, principalmente no setor sucroalcooleiro.
Prova disso é que a Procuradoria vai representar todas
as regionais do MPT na Conferência da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que acontece em Genebra-Suiça,
de 25 de maio a 14 de junho deste ano.
O
procurador-chefe Rodrigo Alencar acompanhará o procurador-geral
do Trabalho Otávio Brito Lopes e representará
a PRT no evento. Ele entregará à OIT o relatório
final sobre a atuação da força-tarefa no
setor canavieiro alagoano.