28
de abril de 2008
Seminário
aborda trabalho precário no setor canavieiro de Alagoas
Cerca
de 250 pessoas participaram, nesta segunda-feira (28), do V
Seminário Alagoano Sobre Saúde e Segurança
do Trabalho. O tema deste ano, “As condições
de trabalho na zona canavieira de Alagoas”, foi abordado
por médicos, sociólogos, juízes e procuradores
do trabalho. Enfoque especial para as irregularidades flagradas
pela força-tarefa do Ministério Público
do Trabalho (MPT), que esteve no Estado entre fevereiro e março
deste ano.
“Todos
devem se engajar para acabar com a situação degradante
do corte de cana”, afirmou, em sua palestra, Geraldo Emediato,
procurador do Trabalho em Minas Gerais. Emediato, que participou
da força-tarefa do MPT, defendeu como prioritária
a proteção da vida e a dignidade das pessoas que
sobrevivem nos canaviais. “Esse trabalho exaustivo, desumano,
precisa ser dizimado”. Para ele, a discussão do
problema deve ser levada a todas as instâncias, até
mesmo na Organização das Nações
Unidas (ONU).
O
professor e sociólogo Golbery Lessa falou das particularidades
do capitalismo alagoano no setor canavieiro. Disse que a atividade
agrícola não está entre as mais lucrativas
e que Alagoas já passa a concentrar oitenta por cento
de sua economia em outros setores. Outro sociólogo, Cícero
Albuquerque, abordou a dualidade entre desenvolvimento e miserabilidade
no setor canavieiro. Salientou a modernização
das empresas, mas criticou o aumento da exploração
da mão-de-obra.
No
tocante aos danos à saúde do trabalhador, o médico
Juraci Lima falou das principais conseqüências do
serviço extenuante, árduo e repetitivo provocadas
pela atividade do corte da cana. De traumas no sistema neurológico
aos problemas com os equipamentos de proteção,
o médico do trabalho falou de tendinites, cãibras,
paradas cardíacas, cortes com facões, infecções
oculares, entre outros males.
Esse
quadro a que estão expostos os cortadores de cana também
recebeu a análise do ponto de vista do dano moral coletivo.
A explanação ficou a cargo do juiz do trabalho
Alan Esteves, que enfatizou a necessidade de se garantir a reparação
do dano à dignidade ou honra do ser humano.
Exposição
O
seminário contou também com a exposição
temática “O lado amargo da cana-de-açúcar”,
composta por fotografias, ferramentas e equipamentos de proteção
usados no setor canavieiro. O material foi coletado pela Procuradoria
Regional do Trabalho em Alagoas (PRT) durante inspeções
na zona canavieira. A estruturação da exibição
e as fotos são de autoria dos servidores da própria
PRT. O êxito da exposição gerou convite
para ser exibida no Centro de Ensino Superior de Maceió.
Os
participantes do seminário doaram 212 latas de leite
em pó. A PRT vai o arrecadado às famílias
da favela Sururu de Capote, localizada às margens da
Lagoa Mundaú, em Maceió.