| 18
de junho de 2009
Primeira
medida
MPT ajuíza ação civil
pública contra Utinga Leão
Pedido
de liminar quer garantir pagamento de seguro desemprego aos trabalhadores
da usina
Diante
da situação de extrema penúria por que passam
centenas de cortadores de cana, outra alternativa não restou
ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas
senão entrar com ação civil pública
contra a usina Utinga Leão, localizada no Município
de Rio Largo, na região da grande Maceió. A ACP
com pedido de liminar, ajuizada hoje (18) na 2ª Vara do Trabalho
de Maceió, requer expedição de alvará
para liberação de seguro-desemprego e para saque
do fundo de garantia, além da rescisão indireta
dos contratos, por culpa do empregador.
O
MPT requer que a Justiça obrigue a usina a anotar a data
de dispensa na CTPS (Carteira de Trabalho) dos empregados, além
de fornecer termo de rescisão de contrato, com cálculo
das verbas rescisórias e demais créditos trabalhistas
devidos. A empresa também terá de pagar multa de
R$ 10 mil por trabalhador, caso descumpra as obrigações
requeridas pelo MPT.
Com
a ação judicial, o procurador-chefe do MPT em Alagoas,
Rodrigo Alencar, está defendendo o interesse dos atuais
4.900 trabalhadores da usina.
Audiência
O procurador tomou a decisão de ajuizar a ação
após audiência, realizada na quarta-feira (17), com
representantes da usina e de trabalhadores, diante da negativa
da empresa de resolver a situação dos empregados
que estão há mais de três meses com salários
em atraso. “Essa é apenas a primeira medida judicial.
Outras medidas já estão sendo estudadas, aguardando
apenas alguns documentos, para viabilizar ações
futuras”, disse Alencar.
Os
trabalhadores que participaram da audiência disseram ao
procurador que muitos deles estão passando fome, porque
não têm mais crédito no comércio local,
e até o fornecimento de energia elétrica está
sendo suspenso por falta de pagamento. A maioria vai pedir a rescisão
do contrato de trabalho, assim que receber as verbas rescisórias.
A gravidade da situação também foi confirmada
por representantes do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia
Militar de Alagoas.
Desde
o mês de março deste ano, os empregados da usina
vêm realizando inúmeros protestos, com bloqueio da
rodovia BR-104, para cobrar salários atrasados.
Medida
extrajudicial
Além
da ação judicial, o procurador determinou que a
usina apresente, no prazo de 48 horas, o contrato social e o contrato
de compra e venda relativo à aquisição da
empresa por novo grupo econômico, ocorrida em março
de 2008. Alencar recomendou que os próximos recursos que
a empresa captar, seja dada prioridade absoluta ao pagamento dos
salários de seus empregados. “Também recomendamos
que sejam priorizados os empregados que recebem remuneração
mais baixa, de forma que recebam um percentual maior dos salários
em atraso do que aqueles que recebem salários mais altos”.
Alencar
vai solicitar ao presidente da Companhia Energética de
Alagoas (Ceal), Flávio Decat, que sejam suspensos os cortes
de fornecimento de energia elétrica nas residências
dos trabalhadores da usina, pelo menos até o início
da próxima safra da cana-de-açúcar (setembro
de 2009). “Além disso, vamos solicitar a religação
nas residências onde já foi efetuado o corte, tendo
em vista que os empregados estão com salários atrasados
devido à dificuldade financeira por qual está passando
a usina”.
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