| 22
de junho de 2009
Execução
de TAC
MPT ajuíza ação contra
governo do Estado pedindo afastamento de servidores contratados
sem concurso público na Saúde
Vencidos
todos os prazos para o governo do Estado afastar os terceirizados
que prestam serviço na Secretaria de Estado da Saúde
(Sesau), outra alternativa não restou ao Ministério
Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, senão recorrer
à Justiça do Trabalho para resolver as irregularidades
de contratação sem concurso público. Nesta
segunda-feira (22), foi ajuizada ação de execução
na 6ª Vara do Trabalho de Maceió para que o Estado
seja obrigado a cumprir o termo de ajustamento de conduta (TAC),
ou seja, afastar médicos, enfermeiros, psicólogos,
fonoaudiólogos, biomédicos, fisioterapeutas, auxiliares
de enfermagem e vários outros profissionais irregularmente.
O
argumento dado pelo governo de não realizar concurso público
por estar no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) não
convenceu o procurador do Trabalho Rafael Gazzanéo. “A
alegação é absurda e ao mesmo tempo falaciosa,
porque as pessoas contratadas irregularmente recebem remuneração
da mesma forma que aqueles que ocupam de forma legal os cargos
públicos idênticos, o que quer significar que a soma
dos valores pagos aos trabalhadores que recebem como ‘serviços
prestados’ nada mais é do que despesas de pessoal.
Sem contar que a situação mantida na Sesau é
uma afronta à Constituição Federal”,
afirmou o procurador.
No
texto da ação, Gazzanéo justifica que, no
pagamento de remuneração por meio do sistema conhecido
como serviços prestados, o Estado de Alagoas utiliza artifício
contábil para não classificar estes serviços
como despesas de pessoal. “Com essa prática, o governo
já está infringindo os limites estabelecidos pela
chamada lei de responsabilidade fiscal”.
O
procurador complementa, afirmando que numa mesma conduta o governo
do Estado violenta o princípio disposto no inciso II, do
artigo 37 da Constituição Federal, a própria
LRF e afronta o termo de ajustamento de conduta firmado com o
MPT. Dessa forma, ele conclui que “o Estado de Alagoas vem
desrespeitando a ordem constitucional vigente, sem qualquer cerimônia
e de forma sistemática como opção de governo”.
Denúncias
De
acordo com Gazzanéo, o MPT recebeu denúncias de
que o Estado estaria descumprindo o termo de compromisso, o que
resultou em várias tentativas para resolver o problema
da Sesau de maneira extrajudicial. Desde o final de 2008, o procurador
cobrou uma solução para as irregularidades constatadas,
mas o governo não apresentou nenhuma definição
prática para o caso dos terceirizados e, por isso, recorreu
à esfera judicial.
O próprio secretário de Saúde, Herbet Motta,
reconheceu, durante audiência realizada em maio deste ano,
que as denúncias feitas ao MPT são verdadeiras,
mas afirmou também que a Secretaria fez três tentativas
para realizar o concurso público, no entanto, os processos
tiveram parecer desfavorável na Procuradoria Geral do Estado
(PGE). “A justificativa dada pela PGE foi justamente o aumento
nas despesas de pessoal, o que implicaria em desobediência
a lei de responsabilidade fiscal”, completou.
Mota
declarou que, em virtude das negativas da PGE, com uma ação
judicial haveria mais chance de se resolver o problema. “Teríamos
mais chance de êxito já que proporcionaria a regularização
por força de uma ordem do Poder Judiciário, mesmo
comprometendo a Lei de Responsabilidade Fiscal”.
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