_Procuradoria Regional do Trabalho da 19ª Região - Alagoas

30 de março de 2009

Convenção coletiva
Rodoviários e empresários próximos
de acordo: reajuste poderá ser parcelado

MPT, SRTE e Arsal vão realizar ações para fiscalizar transportes complementares

O impasse sobre o reajuste de salários dos motoristas de transportes intermunicipais está chegando ao fim. Em audiência realizada nesta segunda-feira (30/03), na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de Alagoas (Sinttro-AL) e os empresários chegaram a um consenso: a convenção coletiva de trabalho será baseada no acordo firmado entre o Sinttro e sindicato patronal no âmbito dos transportes coletivos urbanos. O reajuste poderá ser parcelado.

O Sinttro e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Alagoas (Sintran-AL) vão elaborar minuta da convenção coletiva da categoria, respeitando-se as conquistas da categoria, inclusive com efeitos retroativos a fevereiro de 2009. O reajuste salarial de 10% e aumento no valor do ticket-alimentação de R$ 90 para R$ 130 poderão ser efetivado de forma parcelada.

A procuradora do Trabalho Virgínia Ferreira, que mediou as negociações, acatou a decisão dos dois sindicatos e marcou nova audiência para que seja assinada a convenção coletiva dos rodoviários intermunicipais. Será dia 14 de abril, às 9 horas.

Virgínia Ferreira também determinou que a Federação das Associações do Transportes Alternativos de Alagoas (Fata) também será chamada para a próxima audiência. O objetivo, segundo a procuradora, é que os proprietários dos transportes complementares também façam parte da mediação, de forma a garantir que seus empregados, os motoristas dos alternativos, sejam inseridos nas regras da convenção coletiva como os demais profissionais da categoria do transporte intermunicipal.

Fiscalização

A Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) também participou da audiência desta segunda-feira, mas seu coordenador jurídico, Ricardo Omena, questionou a participação, uma vez não ser parte legítima para representar os complementares. A procuradora explicou que o atual processo de negociação extrapola as cláusulas econômicas entre trabalhadores e empregados.

“Nosso objetivo com esse procedimento em curso é buscar realizar uma ação conjunta de todos os integrantes do sistema, para que cada um cumpra seu papel de fiscalização”, explicou a procuradora, propondo à Arsal uma ação conjunta com o MPT e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) para ser realizada nos próximos dias. A finalidade é fiscalizar os transportes complementares.

A procuradora também determinou que a Arsal tem 30 dias para apresentar o resultado das notificações que serão feitas aos cerca de 400 motoristas substitutos dos complementares. Eles terão de apresentar suas respectivas carteiras de trabalho assinadas pelos proprietários dos veículos que fazem o transporte complementar.

Atendendo à solicitação do Sintran, procuradora encaminhará à Secretaria da Receita Federal a lista que será entregue pela Arsal, com nomes e CPFs dos proprietários dos complementares. A proposta dos empresários é que seja verificado se o segmento vem cumprindo as obrigações tributárias.

Durante a audiência, o Sinttro denunciou que no município de Arapiraca foram flagrados diversos veículos particulares fazendo o transporte complementar. Diretores do sindicato disseram ter visto, no último fim de semana, adolescentes trabalhando como cobradores nos transportes complementares.