bip – Boletim Informativo da PRT/AL
Procuradoria Regional do Trabalho da 19ª Região
ANO II - nº 10 - agosto e setembro de 2007
1ª Pagina
NOVA GESTÃO
Procurador-chefe encara desafios
legenda: Rodrigo Alencar assina termo de posse, em Brasília, como
novo procurador-chefe da PRT de Alagoas
Rodrigo Alencar assume como procurador-chefe da PRT de Alagoas e chega
para enfrentar novos desafios. Neste primeiro momento, diz o procurador,
o principal é concluir as obras de reforma da sede da Procuradoria
e inaugurar o primeiro ofício do Estado, que será instalado
no município de Arapiraca. Em entrevista ao Bip, Alencar fala de
suas metas, que vão desde a administração com gestão
participativa até a busca de novas parcerias e apoio às
ações institucionais. Páginas 4 a 6
DECISÃO INÉDITA
Recursos são bloqueados pela
Justiça em benefício de crianças
Página 3
Ação da PRT: matadouro
de Marechal é interditado
Página 7
legenda: Matadouros: trabalhadoras sem carteira assinada
Página 2
EDITORIAL
A casa dos trabalhadores
Ser procurador do Trabalho em Alagoas não é
uma tarefa fácil. O Estado, um dos mais pobres da Federação,
apresenta alto índice de analfabetismo, mortalidade infantil, violência
e de desrespeito aos direitos trabalhistas. É comum ainda, em pleno
século 21, encontrar na zona rural alagoana pessoas submetidas
a condições de trabalho precárias, sem carteira assinada
e sem as mínimas garantias constitucionais, como salário
mínimo, férias e aposentadoria.
A situação não é diferente na capital, Maceió.
Centenas de trabalhadores sobrevivem da coleta de material reciclável,
e outros tantos, no lixão da capital. Na outra ponta da mesma linha
de miséria, crianças pobres de 10 e, até mesmo, 7
anos de idade alugam os próprios corpos por menos de um real. Para
combater o problema, o Ministério Público do Trabalho vem
atuando conjuntamente com outros órgãos.
Um dos resultados o leitor verá na página 8, com determinação
judicial para o município de Maceió implantar políticas
públicas em prol de moradores das favelas Sururu de Capote, Muvuca,
Mundaú e Torre.
Na matéria da página 7, o leitor verá que a exploração
da mão-de-obra infantil chega também aos matadouros municipais.
Inspeções da Procuradoria Regional do Trabalho em Alagoas
revelam as péssimas condições de higiene e segurança
que afetam os menores e demais trabalhadores. Em conseqüência,
Ação Civil Pública movida pelo MPT pede a interdição
de sete dos abatedouros.
Com o início da safra canavieira em setembro, os problemas se acumulam.
Preocupados, procuradores do Trabalho e auditores-fiscais do Trabalho
se reúnem e traçam estratégias para atuação
conjuntas. O setor emprega mais de 50 mil trabalhadores e representa uma
das prioridades do MPT em Alagoas. Esta e outras metas são comentadas,
nas páginas 3 a 5, pelo novo procurador-chefe da PRT-19ª Região,
Rodrigo Alencar.
Esses são alguns dos muitos desafios que o novo dirigente da PRT
terá nos dois anos de seu mandato. Se Alagoas se apresenta como
empresa árdua para qualquer procurador do Trabalho, o desafio se
torna ainda maior para o procurador-chefe. Os predecessores de Rodrigo
Alencar, no entanto, demonstraram que é possível levar adiante
as atividades institucionais do Ministério Público do Trabalho
e fazer de Alagoas um estado mais digno para os trabalhadores.
Em 2007, a PRT completa 15 anos de existência. Data marcante para
uma instituição que se transformou no ícone de seriedade
e referência para toda Alagoas. Um bom momento para celebrar a posse
do novo procurador e homenagear o órgão que, ao longo do
tempo, consolidou-se como “A Casa dos Trabalhadores”. Parabéns!
CURTAS
Homenagens
legenda1 (foto à direita): Virgínia Ferreira
legenda2 (foto à esquerda): Gabriela Malta
O Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas (TRT) homenageou várias
autoridades com a entrega da Comenda da Ordem do Mérito Ministro
Silvério Fernandes de Araújo Jorge, que teve a vida dedicada
à magistratura. A solenidade fez parte das comemorações
dos 15 anos da implantação da instituição
no Estado. Entre os agraciados, a ex-procuradora-chefe da PRT de Alagoas,
Virgínia de Araújo Gonçalves Ferreira, no grau Grã-Cruz,
e a servidora da PRT Gabriela Malta, no grau Prata.
Serviços otimizados
Procuradores do Trabalho e auditores fiscais do Trabalho estiveram reunidos
no último mês de agosto. O objetivo foi aprimorar o relacionamento
entre a Delegacia Regional do Trabalho e a PRT, definindo metas de atuação.
A partir de agora as duas instituições vão adotar
procedimentos considerados imprescindíveis para otimizar os serviços.
Capacitação
Dezesseis servidores da PRT participaram do curso de Desenvolvimento Gerencial,
ministrado pela professora da Universidade Federal de Alagoas, Vera Porangaba.
De acordo com Gabbriela Malta, elo de capacitação da Regional,
o treinamento teve o objetivo de oferecer noções de administração
aos servidores, principalmente aos ocupantes de cargo de chefia. “Nosso
intuito é aprimorar as habilidades gerenciais mediante a discussão
de questões referentes à liderança no serviço
público”, explicou.
EXPEDIENTE
Bip - Informativo bimestral da Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas
(PRT 19ª Região)
Procurador-chefe
Rodrigo Raphael Rodrigues de Alencar
Procurador-chefe substituto
Cássio de Araujo Silva
Procurador regional
Rafael Gazzanéo Júnior
Procuradores do Trabalho
Danielle Leite Costa, Lárah Barros Rebêlo, Luciano Arlindo
Carlesso, Rosemeire Lopes de Lobo Ferreira e Virgínia de Araújo
Gonçalves Ferreira
Secretária regional
Lyzana Cavalcanti
Conselho Editorial
Rodrigo de Alencar, Virgínia Ferreira, Rita de Cássia Mendonça
e Simoneide Araújo
Assessoria de Comunicação
Jornalista responsável
Simoneide Araújo - MTb/AL 461
Repórter
Cícero R. C. de Omena - MTb/AL 1052
Tiragem: 600 exemplares - Impressão: Grafipel
Endereço: Rua Prof. Lourenço Peixoto, 90, Qd-36, Lot. Stella
Maris - Jatiuca - Cep 57035-130
PABX: (82) 3325-6666/ e-mail: ascom19@prt19.mpt.gov.br
Http://www.prt19.mpt.gov.br
Página 3
DECISÃO INÉDITA
Justiça bloqueia R$ 1,5 mi de município
legenda: Crianças fora da escola, sem assistência e obrigadas
a despinicar sururu
Um milhão e meio é o montante bloqueado da conta do município
de Maceió, em virtude de descumprimento de ação judicial.
Desde setembro, a prefeitura está obrigada a garantir direitos
humanos, sociais, econômicos e culturais a crianças e adolescentes
das favelas Mundaú, Sururu de Capote, Torre e Muvuca, na região
do Dique Estrada.
A punição foi imposta pelo juiz Fábio Bittencourt,
da 28ª Vara Cível da Infância e Juventude que manteve
multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento da decisão,
fixada na liminar. Também determinou outra multa, de caráter
pessoal, diretamente contra o prefeito Cícero Almeida, no valor
de R$ 300,00 por dia de descumprimento dessa sentença final (de
mérito). A multa é extensiva ao secretário de Ação
Social à época, Alan Balbino, no valor de R$ 200,00.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA
Na decisão inédita na área de atenção
à criança, o juiz atendeu à ação civil
pública ajuizada, em março deste ano, pela procuradora do
Trabalho Virgínia Ferreira e pelos promotores de Justiça
Luiz Medeiros, Ubirajara Ramos, Alexandra Beurlen, Adriana Gomes e Micheline
Tenório. Na época, o grupo constatou as péssimas
condições de vida a que estão submetidas as comunidades
da orla lagunar de Maceió.
Segundo os membros das duas instituições, as pessoas daquela
região têm enfrentado dificuldades para exercer seus direitos
humanos mais fundamentais, além da gravidade da permanência
da prática de exploração sexual de crianças
e adolescentes e da constatação de trabalho infantil.
As provas apresentadas pelos representantes do Ministério Público
Estadual e do Trabalho comoveram o juiz Fábio Bittencourt. “É
de estarrecer a qualquer ser humano, os relatos anexados: meninos e meninas
de 6 a 8 anos de idade começam a se prostituir por trinta centavos;
são adolescentes que praticam assaltos; famílias que passam
por todos os tipos de privações, sobrevivendo com rendas
ínfimas, inclusive passando fome”, registrou o magistrado
na sentença.
RETROSPECTIVA
Em 2006, o Fórum Estadual pela Erradicação Infantil
e Proteção do Adolescente Trabalhador (Fetipat), coordenado
pela Procuradoria Regional do Trabalho, apontou a comunidade da favela
Sururu do Capote, na orla lagunar da capital, para ser beneficiada por
ações do Projeto Catavento, da Organização
Internacional do Trabalho. A escolha daquela comunidade foi em função
da constatação de que existiam crianças trabalhando
na cata e beneficiamento do sururu, além de serem exploradas sexualmente.
“Para conseguir o sururu, as crianças mergulham na lagoa
até cinco metros de profun-didade. É tamanha a misera-bilidade,
que crianças de seis, sete anos de idade são obri-gadas
a se prostituir. É um absurdo que o poder público se isente
dessa responsabilida-de”, denunciou a procuradora.
Outro dado que aumentou a preocupação do MPE e da PRT, foram
os resultados de pesquisa realizada pela Associação Brasileira
de Nutrição e Direitos Humanos (ABRANDH), em parceria com
a Universidade Federal de Alagoas e financiada pela Organização
das Nações Unidas. Só na Sururu de Capote, 87% das
crianças até 5 anos de idade têm verminoses; 20% dos
menores de 3 anos apresentam problemas de crescimento; 69% das crianças
até 2 anos têm anemia.
“A situação em que vivem as famílias das quatro
favelas é de miséria absoluta, comparável aos mais
atrasados países da África. Por isso, em razão do
completo abandono por parte do poder público, evidenciado pela
ausência de políticas e pelo alto grau de miserabilidade
das pessoas residentes naquele local, foi necessária a propositura
da ação civil pública, para buscar provimento judicial
no sentido de se fazer cumprir a prioridade absoluta prevista na Constituição
Federal”, enfatizou.
Veja as condenações:
n formar uma comissão multidisciplinar de profissionais do município,
que serão acompanhados pelos MPE e PRT ou Conselho Tutelar da região,
para realizar um perfil sócio-econômico das crianças
e adolescentes da comunidade da orla lagunar, no prazo de 90 dias, identificando
cada criança e adolescente pelo nome, idade, endereço, nome
dos pais, se possuem registro de nascimento ou outro documento de identificação,
se passam fome, se já sofreram violência doméstica,
se são vítimas de violência sexual, se estão
na escola, se saíram da escola, se trabalham, se passam o dia na
rua, se usam drogas, se seus pais são dependentes químicos;
n oferecer condições adequadas, no prazo de 60 dias, para
o funcionamento do Conselho Tutelar das Regiões I e II: segurança,
combustível em quantidade suficiente, computadores, verba de custeio,
pessoal de apoio e número telefônico gratuito (0800) para
recebimento de denúncias de abuso, exploração e violência
contra crianças e adolescentes, em caráter ininterrupto
(24 horas);
n apresentar cronograma, para que seja ampliada a rede municipal de proteção
à criança e ao adolescente, com a abertura de abrigos para
crianças e adolescentes, de ambos os sexos, em situação
de risco, com até 18 anos incompletos;
n ofertar creche em horário integral e educação infantil,
em quantidade suficiente para atender à população
de 0 a 6 anos, com prazo para funcionamento de 180 dias;
n assegurar as matrículas de todas as crianças e adolescentes
em idade escolar de ensino fundamental, imediatamente, a partir do levantamento
inicial;
n apresentar propostas de políticas públicas a serem implementadas
pelo município com abrangência suficiente e ofertando soluções
de curto, médio e longo prazo, no prazo de 90 dias;
n incluir no Projeto de Lei Orçamentária de 2008, as verbas
necessárias para implementação das políticas
públicas a serem executadas no ano, bem como nos seguintes;
n utilizar a reserva de contingência do município, caso este
não apresente rubrica orçamentária diversa para fazer
face às despesas com o cumprimento das medidas liminares, ora concedidas;
n implementar ações visando à expedição
de registros de nascimento das crianças, adolescentes e pais para
incluí-los em programas sociais;
n promover campanha permanente de conscientização, por intermédio
dos mais diversos meios de comunicação, acerca da proibição
do trabalho infantil, inclusive o doméstico, da prostituição
infantil e males à saúde causados por drogas e, ainda, a
importância do papel da sociedade na denúncia destes temas
ao Conselho Tutelar da região, explicitando que este, para cumprir
o seu papel, deve encaminhar ao Ministério Público notícia
de fato que constitua infração administrativa ou penal contra
os direitos da criança e do adolescente, assim considerado o trabalho
infantil, nos moldes do art. 136, inciso IV do Estatuto da Criança
e do Adolescente.
Página 4
ENTREVISTA: Rodrigo Raphael de Alencar
“Teremos uma gestão participativa”
legenda: Rodrigo Alencar chefiará a PRT de Alagoas durante os próximos
dois anos
Eleito por unanimidade entre seus pares, o novo procurador-chefe da Procuradoria
Regional do Trabalho da 19ª Região (PRT), Rodrigo Raphael
de Alencar, 30 anos, tomou posse oficialmente, em Brasília, no
gabinete do procurador-geral Otávio Brito Lopes, no mês de
setembro. Antes desse momento, em Maceió, servidores e procuradores
da PRT, familiares, sindicatos de trabalhadores e da classe patronal participaram
da solenidade de transmissão de cargo do novo chefe do Ministério
Público do Trabalho (MPT) em Alagoas.
Rodrigo Alencar, alagoano, é integrante do MPT desde 2003, quando
atuou como procurador na regional do Amazonas e Roraima.
Alencar diz que em sua gestão, a PRT vai intensificar as fiscalizações
para combate às contratações irregulares no serviço
público. O procurador é titular, no Estado, da Coordenadoria
Nacional de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho (CODEMAT) e também
coordenador do Fórum Estadual de Proteção ao Meio
Ambiente de Trabalho (Fromt).
Na entrevista a seguir, Alencar fala de suas metas de gestão participativa,
apoio às ações dos demais procuradores do Trabalho
e das ações da instituição em defesa dos interesses
coletivos dos trabalhadores.
– O senhor está assumindo a chefia da PRT de Alagoas. Então,
quais são seus projetos para os próximos dois anos?
– Bem, dividi os projetos em duas áreas: a administrativa,
que vai atender às questões internas da Procuradoria, e
a nossa atuação como instituição a serviço
da sociedade. No que diz respeito à nossa atuação,
a meta é apoiar e incentivar os colegas (procuradores) na realização
das metas institucionais prioritárias, como, por exemplo, as iniciativas
de combate ao trabalho infantil. Vamos apoiar as coordenadorias, incentivar
e oferecer toda infra-estrutura básica para que essas iniciativas
sejam exitosas. Apesar de assumir a chefia, continuo como procurador do
Trabalho, portanto, no que pertine a minha atuação, particularmente,
pretendo intensificar as ações na área que atuo,
reativar o fórum em defesa do meio ambiente de trabalho, retomar
o trabalho de inspeções com a DRT (Delegacia Regional do
Trabalho) na fiscalização dos transportes dos trabalhadores
rurais e das condições de trabalho. Pretendo intensificar
as parcerias com as demais instituições que tenham relação
com o mundo do trabalho, como Polícia Rodoviária Federal,
Ministério Público Estadual, Polícia Federal, entre
outras.
– E quanto à primeira parte do projeto – a área
administrativa?
– Teremos uma gestão participativa. Iniciamos um calendário
mensal de reuniões com estagiários, servidores e diretores
de setor e continuaremos também com a reunião ordinária
dos procuradores. Esse espaço servirá para que tenhamos
maior integração e para que possamos discutir problemas,
buscar soluções conjuntamente, ouvir mais e dividir conquistas
com todos que fazem a PRT.
– Qual será a prioridade?
– Nossa prioridade, hoje, é concluir a reforma e inaugurar
nossa sede para oferecer um ambiente de trabalho mais digno para os servidores,
procuradores e para o público usuário. A segunda meta é
a inauguração do ofício de Arapiraca, para atender
a população do Baixo São Francisco, Agreste e Sertão
e realizar a meta nacional do Ministério Público do Trabalho,
que é a interiorização. Mas temos outros projetos
dentro das nossas metas internas: vamos implantar a ouvidoria e o setor
de econo-micidade, visando à economia de papel, energia elétrica,
água... Teremos a PRT Ambiental, voltada para as questões
do meio ambiente e do meio ambiente de trabalho; a PRT Eventos, com calendário
anual de atividades relacionadas ao trabalho, e a PRT Solidária,
para intensificar nossas ações e promover projetos voltados
à promoção da solidariedade. Vamos implementar uma
associação de servidores e procuradores para promover maior
integração entre os que compõem a Procuradoria.
– E quanto à interiorização do MPT?
– É muito gratificante perceber que o MPT está se
ampliando cada vez mais para chegar mais próximo da sociedade.
O ofício de Arapiraca será o primeiro do estado e facilitará
a vida do trabalhador, que não precisará se deslocar até
a capital para fazer denúncia, participar de audiência ou
acompanhar seu processo. Vejo de forma bastante positiva a expansão
do MPT.
– Dentro das metas institucio-nais do MPT, o que será priorizado
em Alagoas?
– Durante minha gestão não teremos uma área
específica prioritária. Temos sete coordena-dorias e cada
uma delas atende a uma área específica, como por exemplo,
combate à exploração infantil, à discriminação,
ao trabalho escravo, às fraudes nas relações de trabalho,
às irregularidades na administração pública,
entre outras. Então, todas as áreas nas quais atuamos terão
total apoio e incentivo na realização de projetos e ações
efetivas.
– Um dos grandes problemas no Estado é o trabalho sem carteira
assinada, sobretudo na zona rural. Haverá alguma atenção
especial nesse setor?
– Em nossa atuação diária, já combatemos
o trabalho clandestino tanto na zona rural como na área urbana.
Fiscalizamos e, quando constamos casos de trabalho clandestino, exigimos
a regularização desses contratos de trabalho. Também
estamos retomando as inspeções no setor sucroalcooleiro
e, entre outras questões, iremos verificar a do trabalho clandestino.
Na cidade, realizamos esse trabalho por intermédio das denúncias
que recebemos constantemente de trabalhadores, sindicatos e da própria
Justiça do Trabalho.
– O senhor é titular, em Alagoas, da Coordenadoria Nacional
de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho. Quais as áreas críticas
desse setor?
– Alagoas ainda é um estado eminentemente agrícola,
onde a cultura predominante é a da cana-de-açúcar.
O setor sucroalcooleiro absorve muita mão-de-obra e, por conseguinte,
exige nossa atenção e atuação permanentemente.
Por ser um trabalho exaustivo, por produção, exige ainda
mais esforço físico do trabalhador e, por isso, temos de
estar atentos para que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
Paralelamente, temos a construção civil, setor que receberá
maior atenção nos próximos dois anos visando à
redução dos acidentes de trabalho. Esses são os dois
setores prioritários que merecem maior atenção e
fiscalização permanentes.
– O que representa para o se-nhor, aos 30 anos de idade, chegar
à chefia do Ministério Público do Trabalho em Alagoas?
– Para mim é um grande desafio. Sinto-me honrado em assumir
a chefia, porque desde os 20 anos, quando ingressei no Tribunal Regional
do Trabalho de Alagoas, fui aprovado no concurso público para técnico
do Judiciário, já tinha em mente que pretendia atuar no
Ministério Público do Trabalho. É uma satisfação
poder contar com o voto de confiança dos colegas membros (procuradores),
mas, por outro lado, é um desafio porque por aqui passaram grandes
nomes e isso aumenta minha responsabilidade de continuar realizando o
trabalho junto à sociedade, em defesa dos interesses dos trabalhadores.
A instituição a qual estou representando vem conquistando
credibilidade e espero realizar a contento essa nova missão. Para
isso, pretendo traçar novos rumos para a Procuradoria, através
de uma gestão partici-pativa, do diálogo permanente com
servidores e procuradores.
“Pretendo intensificar as
parcerias com as demais instituições
que tenham relação com
o mundo do trabalho”
Páginas 5 e 6
“Nossa prioridade é concluir a reforma”
– E quanto à primeira parte do projeto – a área
administrativa?
– Teremos uma gestão participativa. Iniciamos um calendário
mensal de reuniões com estagiários, servidores e diretores
de setor e continuaremos também com a reunião ordinária
dos procuradores. Esse espaço servirá para que tenhamos
maior integração e para que possamos discutir problemas,
buscar soluções conjuntamente, ouvir mais e dividir conquistas
com todos que fazem a PRT.
– Qual será a prioridade?
– Nossa prioridade, hoje, é concluir a reforma e inaugurar
nossa sede para oferecer um ambiente de trabalho mais digno para os servidores,
procuradores e para o público usuário. A segunda meta é
a inauguração do ofício de Arapiraca, para atender
a população do Baixo São Francisco, Agreste e Sertão
e realizar a meta nacional do Ministério Público do Trabalho,
que é a interiorização. Mas temos outros projetos
dentro das nossas metas internas: vamos implantar a ouvidoria e o setor
de econo-micidade, visando à economia de papel, energia elétrica,
água... Teremos a PRT Ambiental, voltada para as questões
do meio ambiente e do meio ambiente de trabalho; a PRT Eventos, com calendário
anual de atividades relacionadas ao trabalho, e a PRT Solidária,
para intensificar nossas ações e promover projetos voltados
à promoção da solidariedade. Vamos implementar uma
associação de servidores e procuradores para promover maior
integração entre os que compõem a Procuradoria.
– E quanto à interiorização do MPT?
– É muito gratificante perceber que o MPT está se
ampliando cada vez mais para chegar mais próximo da sociedade.
O ofício de Arapiraca será o primeiro do estado e facilitará
a vida do trabalhador, que não precisará se deslocar até
a capital para fazer denúncia, participar de audiência ou
acompanhar seu processo. Vejo de forma bastante positiva a expansão
do MPT.
– Dentro das metas institucio-nais do MPT, o que será priorizado
em Alagoas?
– Durante minha gestão não teremos uma área
específica prioritária. Temos sete coordena-dorias e cada
uma delas atende a uma área específica, como por exemplo,
combate à exploração infantil, à discriminação,
ao trabalho escravo, às fraudes nas relações de trabalho,
às irregularidades na administração pública,
entre outras. Então, todas as áreas nas quais atuamos terão
total apoio e incentivo na realização de projetos e ações
efetivas.
– Um dos grandes problemas no Estado é o trabalho sem carteira
assinada, sobretudo na zona rural. Haverá alguma atenção
especial nesse setor?
– Em nossa atuação diária, já combatemos
o trabalho clandestino tanto na zona rural como na área urbana.
Fiscalizamos e, quando constamos casos de trabalho clandestino, exigimos
a regularização desses contratos de trabalho. Também
estamos retomando as inspeções no setor sucroalcooleiro
e, entre outras questões, iremos verificar a do trabalho clandestino.
Na cidade, realizamos esse trabalho por intermédio das denúncias
que recebemos constantemente de trabalhadores, sindicatos e da própria
Justiça do Trabalho.
– O senhor é titular, em Alagoas, da Coordenadoria Nacional
de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho. Quais as áreas críticas
desse setor?
– Alagoas ainda é um estado eminentemente agrícola,
onde a cultura predominante é a da cana-de-açúcar.
O setor sucroalcooleiro absorve muita mão-de-obra e, por conseguinte,
exige nossa atenção e atuação permanentemente.
Por ser um trabalho exaustivo, por produção, exige ainda
mais esforço físico do trabalhador e, por isso, temos de
estar atentos para que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
Paralelamente, temos a construção civil, setor que receberá
maior atenção nos próximos dois anos visando à
redução dos acidentes de trabalho. Esses são os dois
setores prioritários que merecem maior atenção e
fiscalização permanentes.
– O que representa para o se-nhor, aos 30 anos de idade, chegar
à chefia do Ministério Público do Trabalho em Alagoas?
– Para mim é um grande desafio. Sinto-me honrado em assumir
a chefia, porque desde os 20 anos, quando ingressei no Tribunal Regional
do Trabalho de Alagoas, fui aprovado no concurso público para técnico
do Judiciário, já tinha em mente que pretendia atuar no
Ministério Público do Trabalho. É uma satisfação
poder contar com o voto de confiança dos colegas membros (procuradores),
mas, por outro lado, é um desafio porque por aqui passaram grandes
nomes e isso aumenta minha responsabilidade de continuar realizando o
trabalho junto à sociedade, em defesa dos interesses dos trabalhadores.
A instituição a qual estou representando vem conquistando
credibilidade e espero realizar a contento essa nova missão. Para
isso, pretendo traçar novos rumos para a Procuradoria, através
de uma gestão partici-pativa, do diálogo permanente com
servidores e procuradores.
“É muito
gratificante perceber que
o MPT está se ampliando
cada vez mais para chegar
mais próximo da sociedade”
Metas para o biênio 2007/2009
- Promover e incentivar a celebração de convênios
de cooperação e parceria com entidades incumbidas da defesa
do interesse coletivo dos trabalhadores;
- Intensificar a defesa do interesse coletivo dos trabalhadores;
- Incentivar as iniciativas dos demais procuradores na condução
das Coordenadorias temáticas;
- Gestão participativa, pautada no diálogo permanente com
todos que compõem a Procuradoria;
- Conclusão da reforma da sede da PRT e a inauguração
do ofício de Arapiraca;
- Reativação da ouvidoria e do setor de economicidade;
- Criação dos projetos PRT Ambiental e PRT Eventos, com
calendário anual de atividades;
- Fortalecimento da PRT Solidária
- Reativação de uma associação de servidores
e procuradores.
legenda1: Familiares, servidores, procuradores, juízes do Trabalho
prestigiaram a solenidade de transmissão de cargo, ocorrida em
Maceió
legenda2: Rodrigo Alencar, no discurso na transmissão de cargo
“A instituição a qual estou
representando vem conquistando
credibilidade e espero
realizar a contento
essa nova missão”
EQUIPE DE TRABALHO:
Lyzana Cavalcanti, secretária regional - no MPT desde 2000
Márcio Rogério Reis, diretor da CODIN - no MPT desde 1995
Iziano Batista, diretor da Divisão Processual (DPRO) - no MPT desde
1994
Alberto Nathanael, diretor da Divisão de Administrativa - no MPT
desde 1995
Valdir Lucena, diretor da Divisão de Informática - no MPT
desde 1999
Página 7
DECISÃO JUDICIAL
Ação da PRT fecha matadouro em Marechal
legenda1: Luciano Carlesso fez inspeção em matadouros e
constatou situação que coloca em risco a saúde e
a segurança dos trabalhadores
legenda2: Trabalhadoras sem direitos
O juiz substituto da 10ª Vara do Trabalho da capital, Carlito Antônio
da Cruz, determinou a sus-pensão das atividades no matadouro locali-zado
no sítio Mangui-nhos, em Marechal Deodoro, município distante
30 quilôme-tros de Maceió. A decisão atende ao pedido
de tutela ante-cipada formulado pelo Ministério Público
do Trabalho (MPT) em Alagoas, em setembro, em virtude das condições
degradantes de trabalho a que são submetidos os trabalhadores.
Ainda se discutirá a existência ou não de relação
de emprego no empreendimento, mas a decisão liminar já garante
a aplicação das Normas Regulamentadoras do Ministério
do Trabalho a todos os trabalhadores, independentemente do tipo de relação
jurídica em que a força de trabalho é apropriada.
Na decisão, o juiz determina que Amaro Granjeiro Costa e Henrique
César Vergeth Granjeiro suspendam as atividades de abate até
que sejam implementadas condições dignas de trabalho. Eles
terão de providenciar a reforma do local e a adoção
de procedimentos que atendam às Normas Regulamentadoras .
Para isso, deverão instituir serviço de engenharia, medicina
e segurança de trabalho, Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes (CIPA), fornecimento de equipamentos de proteção
individual, para impedir a continuidade da agressão à saúde
dos trabalhadores, prevenir acidentes e para evitar o risco de contaminação
através do sangue e das fezes dos animais abatidos. A determinação
também inclui a proibição de trabalho infantil, bem
como a presença de crianças em todas as áreas do
matadouro. Caso haja descumprimento da decisão liminar, os responsáveis
estarão sujeitos à multa de R$ 150 mil por infração
cometida.
O procurador do Trabalho Luciano Arlindo Carlesso, autor da ação,
disse que a decisão é inovadora e coincide com a fundamentação
da ação no sentido de que as normas regulamentadoras devem
ser aplicáveis a todo tipo de trabalho humano. “Todos têm
o direito de ter preservadas a saúde, a segurança e a dignidade,
independente de ser empregado ou trabalhador não subordinado”,
declarou. Carlesso aguarda a decisão da Justiça também
em relação às demais ações ajuizadas
contra matadouros dos municípios de Messias, Viçosa, Cajueiro,
Capela e Pilar. Segundo Carlesso, nesses locais foram constatadas as mesmas
irregularidades e o total desrespeito à dignidade do trabalhador.
INSPEÇÕES DA PRT
A situação de risco permanente a que estão expostos
vários trabalhadores levou o MPT, através da Procuradoria
Regional do Trabalho (PRT), a ingressar com ação judicial
para suspender as atividades nos matadouros públicos dos referidos
municípios alagoanos. O procurador Luciano Carlesso solicitou à
Justiça Trabalhista que a suspensão dure até que
os matadouros adequem o meio ambiente de trabalho às normas regulamentadoras.
A precariedade nas condições de trabalho foi comprovada
durante as inspeções realizadas, em agosto, em parceria
com a Delegacia Regional do Trabalho (DRT). “Foram verificadas irregularidades
que afrontam princípios constitucionais, como o da dignidade da
pessoa humana e do valor social do trabalho”, diz o relatório
da PRT.
A comissão de fiscalização encontrou pessoas trabalhando
sem equipamentos de proteção e sem vestimentas adequadas.
Muitos estavam descalços, em contato direto com fezes, sangues
e demais materiais orgânicos provenientes do abate de bovinos e
suínos, que são mortos e esquartejados ali mesmo no chão
de cimento. Os matadouros não possuem “condições
de higiene e estrutura que permitam a sua utilização para
qualquer atividade econômica”.
TRABALHO INFANTIL
Na ação, a PRT também requer a proibição
de crianças nos matadouros. O objetivo é combater a exploração
do trabalho infantil uma vez que, durante as inspeções,
crianças e adolescentes foram flagrados trabalhando no processamento
do corte das carnes. Com idade entre 12 e 16 anos, recebiam 8 reais por
dia e também não dispunham de nenhum equipamento de proteção.
“Constatamos a presença de crianças no local, trabalhando
no manejo da carne, inclusive com facas, e totalmente expostas a riscos
de contaminação”, registrou.
Página 7
COMBATE ÀS FRAUDES
MPT e DRT fecham cerco contra
cooperativas fraudulentas
Em mais de uma década
conseguiram reduzir
a instalação de
cooperativas no Estado
legenda: O procurador Rafael Gazzanéo é representante da
Conafret em Alagoas
O Ministério Público do Trabalho (MPT)
em Alagoas e a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) conseguiram reduzir
a proliferação de cooperativas fraudulentas no Estado, como
forma de combater as fraudes nas relações de trabalho. São
mais de dez anos de atuação que também inclui ações
contra a terceirização ilícita.
Na década de 90, o MPT em Alagoas atuou de forma incisiva para
evitar a instalação de cooperativas que tentavam fornecer
mão-de-obra para órgãos públicos municipais,
estaduais e empresas de forma fraudulenta. A atual procuradora-chefe da
Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) da 19ª Região, Virgínia
Ferreira, disse que na época ajuizou várias ações
contra cooperativas que forneciam, de forma irregular, trabalhadores para
órgãos públicos e usinas alagoanas. “As ações
civis públicas obtiveram resposta positiva por parte do Judiciário
Trabalhista de Alagoas, o que foi determinante para se reprimir a proliferação
dessa forma de fraude à legislação obreira”,
completou.
Para marcar a atuação do MPT, durante o mês de maio,
várias Procuradorias Regionais do Trabalho realizaram ações
como parte da Campanha Nacional de Combate às Fraudes nas Relações
de Trabalho. Em Alagoas, o procurador regional do Trabalho Rafael Gazzanéo
Júnior, representante da Coordenadoria Nacional de Combate às
Fraudes nas Relações de Trabalho (Conafret) no Estado, planeja
a realização, para os próximos meses, de audiência
pública para divulgar o trabalho da PRT nessa área e esclarecer
aos sindicatos como podem constatar as irregularidades e denunciá-las
na Procuradoria.
“Precisamos da parceria da atuação dos sindicatos
para conseguirmos combater as irregularidades cometidas por gestores públicos
quando, por exemplo, deixam de realizar concurso público e contratam
prestadores de serviço”, completou.
Diagnóstico
De acordo com diagnóstico divulgado pelo MPT, em todo o Brasil
existem mais de duas mil Ações Civis Públicas (ACPs)
em andamento questionando terceiriza-ções ilícitas,
contratação de cooperativas fraudulentas, entre outras atividades
irregulares. Os números de Alagoas, nos 13 últimos anos,
registram 30 ACPs, 185 procedimentos preparatórios e 45 Termos
de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados.
Atualmente, existem 166 procedimen-tos na PRT de Alagoas relacionados
a contratos de cooperativas (28), terceiri-zação (20), crime
contra organização do trabalho (11), sucessão trabalhista
(5), comissão de conciliação prévia (4) e
colusão (10).
PRT entra com ação contra terceirização
na Ceal
Em 2006, o MPT entrou com Ação Civil Pública
contra Companhia Energética de Alagoas (Ceal), denunciada por terceirizar
ilegalmente parte dos serviços. São 224 auxiliares de eletricista
e 185 eletricistas contratados sem concurso público.
De acordo com o procurador Rafael Gazzanéo, autor da ação,
o procedimento visa à proteção da sociedade, especialmente
os trabalhadores, e ao patrimônio público. “O preenchimento
de cargos e empregos públicos, sem concurso, fere o interesse difuso
de toda a classe trabalhadora”, esclareceu.
Gazzanéo acredita que poderá ser firmado acordo com a Ceal
e a União para que os irregulares sejam afastados e que haja concurso
público. A proposta é que a substituição seja
feita em três ou quatro anos uma vez que existe a necessidade de
treinar o pessoal aprovado.
Página 8
DESCUMPRIMENTO DE TERMO
Porto de Maceió poderá ser multado
legenda: Irregularidade: lona de proteção
não obedece distância mínima
A Procuradoria Regional do Trabalho da 19ª Região (PRT) realizou
fiscalização no Porto de Maceió para averiguar se
os termos de compromisso assinados estão sendo cumpridos. O resultado
é que foram constatadas várias falhas que podem por em risco
a vida dos trabalhadores. As lonas de proteção entre o navio
e o cais, por exemplo, não obedecem a distância mínima
de dez metros de largura.
Caso a situação não seja resolvida, com a adoção
de providências imediatas, a PRT vai executar judicialmente os dois
Termos de Ajuste de Conduta (TACs) assina-dos, e cobrar da administração
portuária a multa prevista.
De acordo com a procuradora do Trabalho Rosemeire Lôbo, mesmo que
a obrigação de disponibilizar a lona seja do operador, isso
não afasta a responsabilidade da administração no
que diz respeito à cobrança e à fiscalização
do cumprimento das normas.
A equipe da PRT e os auditores fiscais do Trabalho Glauco Bezerra e Fernando
Soares constataram que não foram disponibilizados banheiros para
os trabalhadores, mesmo sendo fixado em termo de compromisso como medida
prioritária. O responsável pela empresa que administra o
Porto – Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) –,
Domício José Gregório Arruda Silva, esclareceu que
o Setor de Engenharia elabora projeto para a construção
dos sanitários e estuda o melhor local para a instalação
dos mesmos.
O Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Porto de Maceió
(OGMO) também foi notificado para prestar esclare-cimento.
FORÇA-TAREFA
A inspeção no Porto de Maceió fez parte das ações
desenvolvidas pela força-tarefa da Coordenadoria Nacional do Trabalho
Portuário e Aquavi-ário (CONCEPTA), do Ministé-rio
Público do Trabalho (MPT). O objetivo foi o acompanhamen-to dos
TACs pela CODERN e pelo OGMO, em maio e junho deste ano.
Há quatro meses, a força-tarefa, formada pelos procuradores
Ronaldo Fleury (DF), Cristiane Ferreira, Eduardo Parmeggianni (RS) e Breno
Maia (à época da PRT de Alagoas), realizou fiscalização
surpresa nas instalações do Porto de Maceió e detectou
várias irregularidades. Por isso, eles propuseram a assinatura
do termo.
Enlonadores e desenlonadores, sem filiação a sindicato,
foram flagrados pela PRT trabalhando sem qualquer assistência. “Na
ocasião os trabalhadores estavam sem equipa-mentos de proteção,
apesar da neces-sidade do uso no momento”, observou.
COMBATE AO TRABALHO INFANTIL
Ações são apresentadas em seminário
legenda: Rosemeire Lobo, titular da Coordinfância
A procuradora do Trabalho Rosemeire Lôbo Ferreira proferiu palestra
sobre o tema “Ações e Estratégias para Erradicação
do Trabalho Infantil no Estado”. O evento fez parte de seminário
promovido pela Delegacia Regional do Trabalho.
À frente da Coordenadoria Regional de Combate à Exploração
do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância),
Rosemeire Lobo Ferreira ressaltou o desempenho do MPT na defesa de crianças
e adolescentes. A promoção de campanhas institucionais de
conscientização da sociedade acerca dos problemas que afetam
milhares de crianças no Brasil foi um dos pontos destacados.
“O trabalho é nocivo ao desenvolvimento da criança.
Por mais que existam pessoas que defendam essa prática, temos de
combatê-la, porque essa visão imediatista, de que retira
os pequenos do roubo, das drogas e que não causa males às
crianças, é muito prejudicial”, declarou.
A procuradora falou também do grau de miserabilidade em que vivem
muitas famílias e da falta de oportunidades de trabalho como fatores
que geram a exploração do trabalho infantil. “Por
isso, enquanto Ministério Público do Trabalho, exigimos
que os municípios e o estado organizem e realizem programas de
atendimento às crianças e às famílias; que
promovam a inserção das crianças nas escolas e em
atividades sócio-educativas complementares e mantenham em funcionamento
os conselhos tutelares”.
|